quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O Símbolo

          O Símbolo
  Não é apenas estética que o artista põe em suas expressões; nelas há inúmeros aspectos que apontam, significam, indicam estados de alma, intenções, desejos, etc. São os símbolos, que estão na arte, até quando o artista não tem consciência de que usa símbolo, por isso toda arte é simbólica.
  Costuma-se confundir símbolo com sinal, mas a diferença é: se todo o símbolo é um sinal, nem todo o sinal é um símbolo. O sinal é o que indica o que aponta algo oculto, não presente e pode ser arbitrário.
Ex: a fumaça é sinal do fogo, e não símbolo do fogo.
O símbolo tem alguma coisa que repete algo de semelhante ao simbolizado.
Ex: um homem solitário, por viver isolado; tem semelhança com uma arvore isolada numa planície deserta. Uma arvore numa planície deserta pode ser usada como símbolo de solidão.
Mas o símbolo pode significar vários simbolizados.
Ex: a cruz é um símbolo que possui uma centena de significados (refere-se a quase uma centena de simbolizados).
Se os símbolos não forem medianamente interpretáveis, só uma elite poderá interpretá-los.
Exotéricos: são os símbolos que qualquer pessoa pode interpretar.
Esotéricos: são os símbolos que só uma pessoa iniciada nos seus mistérios pode interpretá-los.
Crípticos: são os símbolos que só o criador pode interpretá-los.
Numa obra de arte, os apreciadores de uma época posterior a obra, consegue captar símbolos, que os apreciadores contemporâneos dela não conseguiram; por isso alguns artistas são melhores apreciados depois de muito tempo.
 O símbolo nem sempre fala ao consciente do espectador, mas só ao subconsciente: o espectador da obra, não sabe muitas vezes porque se emociona, porque o fascina a obra, porque a sente sublime, porque sente elevado por ela; mas sente tais emoções; no entanto, é a linguagem simbólica da obra de arte que o empolga.

Os Valores Estéticos

               Os Valores Estéticos
  A diferença entre valor e qualidade: é que o valor de um objeto pode ser aceito ou não, sem que este deixe de ser o que é; já a qualidade, não se pode separar nem desprezar das coisas, sem que essas fiquem modificadas.
São valores estéticos: a beleza, o sublime, a ordem, a harmonia. O simbólico tem um valor, que se revela esteticamente na arte; portanto é tratado como simbólico estético.
Os valores caracterizam-se por serem:
1) polares
2) escalares (de escala, escada, graduatividade)
3) hierárquicos
Há uma hierarquia de valores, porque uns valem mais do que outros; e essa hierarquia varia segundo os indivíduos, grupos humanos, épocas, culturas, etc.
Toda a arte é demoníaca quando: valoriza o mórbido, o doentio, em vez de atualizar os valores positivos. Esteticamente, o demoníaco pode alcançar também uma beleza, embora nunca tenha alcançado o que o divino oferece.
Há valores estéticos que podem valorizar a expressão da obra de arte, os quais combinados com outros a tornando maior; entre esses são: o trágico, o dramático, o poético, o musical, o arquitetural, o escultural, etc.

O Fato Estético

         O Fato Estético
Concepções Psicológicas
  Para entender melhor o fato estético, é preciso conhecer antes algumas concepções psicológicas imprescindíveis: sensibilidade, afetividade, intelectualidade.
Sensibilidade: é composta de todos os esquemas dos sensórios – mortriz do corpo humano; e o contato direto dos sentidos com o mundo exterior é realizado pela intuição sensível, que é um captar imediato dos fatos exteriores pelos sentidos humanos, que transmitem a eles uma imagem.
Afetividade: os fatos do mundo exterior também provocam nas pessoas, estados de atração ou de repulsa; elas sentem simpatia ou antipatia pelos fatos.
Intelectualidade: ao sentir os fatos do mundo exterior, as pessoas notam aspectos semelhantes ou diferentes entre si, elas captam as semelhanças e diferenças.
A sensibilidade manifesta-se em polarizações de prazer ou desprazer que os fatos provocam. A afetividade dá uma agradabilidade ou desagradabilidade patéticas (simpatéticas ou antipatéticas). A intelectualidade vê nos fatos o verdadeiro ou falso, o certo ou o errado.
Depois de conhecer esses elementos já é possível estudar os fatos estéticos.
 Escola Sensualista
  A escola sensualista funda-se nos juízos de gosto, que revelam apenas a agradabilidade ou a desagradabilidade, que as coisas oferecem; a desagradabilida e a agradabilidade são pontos de ligação da sensibilidade com a afetividade.
Nem todos os prazeres são estéticos; há prazeres que são anestéticos, isto é, não-estéticos.
O prazer não pode servir de base para um julgamento estético na arte, pois há prazeres que dão até angustias nas pessoas. O prazer que a arte oferece, é sem sofrimento; é um prazer afetivo e não apenas sensível. O erro da concepção sensualista está em confundir a sensibilidade com a afetividade.
Os juízos de gosto podem ser distinguidos em: juízo de gosto com base sensual, juízo de gosto com base afetiva, juízo de gosto com base estética.


Valor na Estética

         Valor na Estética
  O valor é algo que as pessoas dão ou tiram de alguma coisa, sem que esta perca ou ganhe nada em sua estrutura.
Ex: uma arvore é considerada como bela, ou não, ela continua como é; mas se fosse tirado a cor verde de suas folhas, ela deixaria de ser o que é.
  Desta forma o valor não é apenas uma qualidade, mas uma qualidade diferente, que não está incorporada à coisa, como o está à cor, o tamanho, etc. É o valor de um objeto diferente dos outros.
         O que é Valor
  O ser humano encontra sempre valor em tudo quanto lhe permite aproximar-se do seu objeto; é sempre valioso o que aproxima o sujeito do objeto. O objeto é desejado pela intencionalidade do sujeito; tem valor, porque é um meio para dar a satisfação desejada.
       O Valor da Arte
  A intenção de uma obra de arte é trazer felicidade: a verdadeira obra de arte é aquela que oferece superações, vitórias, exaltações.
  A arte aproveitada para escravizar, para aumentar a morbidez, para exaltar o inferior humano, é criadora de angustias e de intranqüilidades.

Arte e Técnica

               Arte e Técnica
  A arte é uma realização fática da beleza pelo homem; e a técnica é a utilização sistemática de meios para atingir um fim. O artista usa da técnica para atingir um fim: expressar sua descarga emocional com beleza.
  A beleza é inseparável da verdadeira obra de arte; mas numa obra de arte pode ter o horrível, através de sua expressão. O horrível em si não é estético, pelo contrario é inestético; mas o artista pode expressa-lo com beleza, isto é com estética; neste caso, a expressão estética do horrível é bela, não o horrível em si. Assim o artista mesmo tendo o horrível como tema pode fazer uma bela obra de arte.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O Sublime

                   O Sublime
  A forma mais simples sob a qual pode ser avaliada a grandeza nos objetos é a de uma extensão imensa; as coisas vastas fazem nascer à impressão do sublime.
Ex: um grande campo, onde a vista se perde na distancia.
Foram sempre esses, os temas mais sublimes que a literatura empregou: o cimo de uma montanha, um abismo profundo, um grande rio, cujas margens desaparecem na distancia, o firmamento, o oceano, o universo estrelado.
  Assim como a proporção exata das partes constitui quase sempre a beleza, o sublime desdenha dessa proporção. O sublime, aceita o desproporcionado, o imenso, o ilimitado.
Ex: uma catedral gótica, com duas torres esguias, penetrando pelo céu, dá sempre a impressão do sublime.
  O sublime é a expressão do grandioso, por isso tem graus, e também valor; mesmo havendo sublimidade na beleza, o sublime pode não ter a beleza num grau elevado; é comum confundir-se o belo com o sublime.
Ex: chama-se de belo um gesto sublime.
O tema do sublime é fundamental na Estática e na Arte, porque coloca as pessoas ante as mais profundas raízes da emoção humana, e abre caminho para que elas compreendam devidamente o que é Arte.
O que é grande ainda não é sublime; no sublime, há algo de misterioso, tem uma dupla característica:
a) provoca na alma humana, de inicio, uma repulsa, mas
b) a atrai imediatamente
O sublime humilha e exalta ao mesmo tempo, comprime a alma e a expande no mesmo instante, produz temor e beatitude.
Para diferenciar o belo do sublime, basta verificar o grau de sublimidade (que não depende do grau de beleza); há fatos mais sublimes que outros, sem que apresente na mesma proporção graus de beleza.
  Catharsis
  A descarga emocional do ser humano é conhecida como catharsis; todo homem que sente e sofre, ama e deseja, necessita dessas descargas aliviadoras. Pois quando o homem começou a realizar essas descargas emocionais (catharsis), mas realizando-as com os elementos da estética (harmonia, beleza, sublimidade), o realizou a Arte.
   A arte é superior quando ela junta:
1) Técnica apropriada à
2) Expressão (catharsis) ou catarse, com beleza
3)Beleza
  Arte, portanto é a expressão da descarga emocional do ser humano com beleza, realizada por meios técnicos.
  Na arte é preciso considerar sempre:
1)     A parte estética (objetiva);
2)     A parte humana (subjetiva);
  Considerar a arte apenas um desses dois lados, é considera - lá abstratamente, ou seja, separar mentalmente o que na realidade não se separa; pois não se pode realizar uma apreciação justa de uma obra de arte sem eles.
Objetivo: é a posição intelectual da arte
Subjetivo: é a posição afetiva da arte
  Uma obra de arte pode apresentar dois pólos de três maneiras:
1)     Superação do subjetivo sobre o objetivo
 Neste caso, o aspecto psicológico afetivo é predominante.
2)     Superação do objetivo sobre o subjetivo.
 Neste caso, a obra revela cerebralismo, com tendências as formas viciosas do mecanicismo, pela revelação de frieza.
3)     Equilíbrio dinâmico de ambos.
 Este é o ideal que surge em todos os movimentos clássicos.
  Assim:
No primeiro caso: os períodos da arte que se pode classificar de Juvenis, pois o arrebatamento emotivo supera a expressão, ou esta é apenas uma explosão daquele, como no romantismo.
No segundo caso: as diversas formas realistas, ou excessivamente formais, como o parnasianismo, como se vê na literatura.
No terceiro caso: a série das manifestações clássicas, que não devem ser confundidas com o classicismo, que já é uma forma viciosa.




   

 

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Ordem e Desordem

              Ordem e Desordem
  A ordem está: numa sucessão regular de termos que estão interligados por uma conexão, por nexo; numa seqüência de fatos que também mostram essa conexão; num conjunto de relações quantitativas e qualitativas, formando um todo, as quais revelam a presença de uma coerência; num conjunto de fatos coesos, formando um todo que atua obedecendo a uma finalidade; num conjunto de providencias interligadas, que se sucedem para atingir a um fim. Tudo isso é ordem.
Pode-se falar em ordem matemática, quando existe em diversos termos uma relação transmitiva assimétrica.
Ex: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, etc.
Pode-se falar em ordem social, quando se vê os cidadãos atuarem segundo um nexo (princípios, leis, etc.) ao qual se submetem.
A ordem é: a relação entre as partes que a compõem, e delas como o todo, em obediência a uma norma.
O contra - conceito polar (inverso) de ordem é desordem; a ordem é vista como positiva, a desordem como negativa; mas a desordem também pode ser uma ordem diferente do que as pessoas esperam.
Ex: desordem para uns, ordem para outros (e vice – versa).
Assim para poder identificar ordem e desordem, tem que avaliar em relação à que ela se destina ou a que finalidade pretende alcançar.